sábado, 1 de junho de 2013 0 comentários

Cerveja e chocolate (Meantime, Baden Baden, Young's e Southern Tier)


Voltando com os posts do blog depois de um período esquecido, mas o retorno em grande estilo! Quem é que não gosta de chocolate? E de cerveja? Que tal juntar os dois!? Isso mesmo, existem cervejas que harmonizam muito bem com sobremesas à base de chocolate como petit gateau ou brownie. Isto porque por conta da tosta do malte e dos tipos de grãos utilizados a cerveja se assemelha muito ao sabor do chocolate meio amargo e algumas, principalmente as que levam castanhas, ao sabor do chocolate ao leite.

Partindo-se deste pressuposto alguns cervejeiros tiveram a brilhante ideia de acrescentar na receita de suas cervejas o chocolate, ou até mesmo o cacau, resultando em um tipo de cerveja de chocolate e existem inúmeras deste estilo, é realmente surpreendente!

Os estilos de cerveja que costumam levar chocolate são as brown ales, as porters e a stouts, bem como suas variantes, muito embora exista uma IPA que leva adição de cacau, a Cacau IPA, uma cerveja colaborativa da brasileira Bodebrown e da americana Stone Brewing!

Mas enfim, as cervejas degustadas têm a proposta de “emular” o sabor e a sensação de comer um chocolate, razão pela qual resolvemos harmonizar com um chocolate mais amargo, com 60% de cacau da Hershey's (que aliás, tem um ótimo custo-benefício!).

Começamos por uma porter inglesa da cervejaria Meantime que tem alguns ótimos rótulos disponíveis no Brasil e iniciamos pela Meantime Chocolate.


A cerveja quando servida na taça apresentou coloração escura acastanhada, com formação tímida de espuma com curta duração. O aroma não engana, é de chocolate, parece que estamos abrindo uma barra de chocolate mais rico em cacau. Também presente no aroma o tostado, café e o caramelo.

Na boca o que sobressai é o chocolate, mas com amargor moderado, um corpo bem licoroso devido a sua carbonatação mais baixa. Foi a cerveja que melhor harmonizou com o chocolate escolhido, diga-se de passagem.

Partimos agora para uma nacional, a cerveja Baden Baden Chocolate Beer, uma novidade aqui no Brasil, recém-lançada e presente da minha irmã que a trouxe pra mim de Campinas. A ideia é a mesma das cervejas do estilo, dar a sensação de estar bebendo um chocolate e os caras da Baden fizeram isso através da adição de cacau e baunilha na receita, haja vista que colocar chocolate na cerveja hoje não é permitido pela legislação que veda a adição de insumos de origem animal, como o leite presente no chocolate.
  

A apresentação da cerveja é bem bacana, a garrafa é muito bonita e quanto despejamos a cerveja na taça vimos um líquido castanho escuro, bem marrom (lembrou uma brown ale, embora não tenha classificação no rótulo) com boa formação de espuma de longa duração. No aroma, parece que é páscoa e desembrulhamos um ovo de chocolate, sente-se o aroma do cacau e da baunilha, um pouco de caramelo e eu não senti nada dos lúpulos adicionados.

Na boca ela surpreende, esperava uma cerveja com textura mais aveludada, assim como a Meantime que é mais licorosa, mas a Baden Baden não, é bem carbonatada o que acaba por limpar um pouco o paladar das mordidas do chocolate. O sabor é de chocolate ao leite, com leve amargor e a lembrança da baunilha no retrogosto. Foi a surpresa positiva da noite e é ótima para surpreender quem não conhece cervejas mais elaboradas.

Depois da Baden partimos para as Stouts (um dos meus estilos favoritos), e a escolhida foi a inglesa Young’s Double Chocolate Stout. Essa eu já tomei antes e realmente não tem como não agradar.
  


Quando vertida na taça apresentou um líquido escuro, preto com uma formação média de espuma de média duração. No aroma, assim como todas, prevalece o chocolate, mas nessa senti bastante o café e a tosta dos maltes, uma delícia e já faz um prelúdio do que está por vir.

O paladar é o chocolate amargo, bem forte, textura aveludada, baixa carbonatação e os sabores de chocolate, café, tostado e o amargor que é mais pronunciante nessa cerveja do que nas anteriores. Uma ótima cerveja para o estilo, mas pediu um chocolate um pouco mais amargo do que o que estávamos degustando.

E para fechar uma cerveja americana, diretamente de Nova Iorque e recém-chegada no Brasil. Elegemos para fechar a noite uma Imperial Stout da cervejaria Southern Tier, a Choklat e, QUE CERVEJA!!


Também tem uma bela apresentação, com um rótulo muito bonito e logo de cara mostra para o que veio. Quando despejada na taça já percebi a textura bem oleosa formando pouca espuma que vai desaparecendo conforme vamos bebendo. O líquido é preto e opaco e muito licoroso.

No nariz sente-se o chocolate bem amargo, café caramelo e agora sim um pouco do álcool, mas bem fraquinho pelo que se espera de uma cerveja de 11% de ABV, muito bem inserido.

O paladar é chocolate, caramelo, baunilha, café e quase nada do álcool, muito equilibrada essa cerveja. O corpo é assim como esperávamos bem licorosa, aveludada e com baixa carbonatação. O chocolate não ficou nada artificial nessa cerveja. Bem em segundo plano sente-se um pouco de herbal, que acredito serem provenientes dos lúpulos americanos. Que cerveja! Com certeza foi a melhor da noite que teve um saldo pra lá de positivo.

Resumindo: cerveja e chocolate combinam sim! Harmonização de cervejas como estas e sobremesas são fantástica e surpreendem quem não conhece esse vértice cervejeiro. A melhor harmonização foi com a Meantime Chocolate, a surpresa foi a Baden Baden Chocolate Beer que é deliciosa e tem um preço bem camarada e a melhor da noite foi a Southern Tier Choklat. Noite pra lá de agradável, confraria continuando e papo ótimo. Cerveja, frio, chocolate e amigos combinam demais!



Venha para o lado chocolate da força e que a cerveja esteja com você!
domingo, 5 de maio de 2013 2 comentários

Pauwel Kwak - Bosteels - Belgian Strong Golden Ale


O post de hoje é de uma cerveja interessante e tudo começa pelo copo em que ela é tradicionalmente servida. Um copo que mais parece um artefato de alquimista, com um suporte para mantê-lo de pé, até porque, por sua base arredondada o copo não pararia de pé sozinho.



Esse copo, chamado de Yard remonta a época de Napoleão. Segundo o site da cervejaria, havia um movimento muito grande nas ruas de Dendermonde, uma cidade belga, principalmente por carruagens, que acabavam por congestionar os arredores da taverna de Pauwel Kwak. Conta a “lenda” que foi proibido então, estacionar as carruagens próximo à taverna. Por conta desse pequeno inconveniente aos cocheiros que queriam se refrescar criaram-se o que eu acredito ter sido o primeiro drive thru da história, e o suporte de madeira era afixado na carruagem, como um porta-copos old school.



Como já deve ter dado pra perceber vou falar da cerveja Pauwel Kwak, da cervejaria belga Bosteels que também faz a Tripel Karmeliet e a tão cultuada DeuS (também ótimas por sinal).

A Pauwel Kwak, ou só Kwak para os íntimos é uma cerveja do tipo Belgian Strong Golden Ale e o nome do estilo já diz muito sobre ela. É uma cerveja dourada, bem forte (tanto no corpo quanto no álcool) e com aquele jeitão característico oriundo das leveduras belgas.



Para começar o visual dela é incrível, fiquei encantado de tomar no Yard, me senti um mago preparando suas magias. A cerveja tem uma coloração âmbar, uma generosa formação de espuma e é bem translúcida.

O aroma, inicia com o frutado, senti bastante banana, mamão, frutas vermelhas e um pouco mel. De corpo médio no paladar é uma cerveja adocicada, com bastante frutado, mel, um pouco do amargor do lúpulo e o picante que lembrou cravo. O álcool é muito bem inserido e apesar de seu teor (8,4%) só percebi porque me esquentou um pouco. Quem gosta das cervejas belgas com certeza irá aprovar!

Eu adorei a cerveja e principalmente a sensação de bebê-la nesse copo tão peculiar. O engraçado é que quando a cerveja vai acabando ficando toda na esfera final do copo, cada gole faz um glub  e a cerveja vem de uma vez (tome cuidado para não se molhar). Com certeza repetirei a dose dessa ótima cerveja belga.

Venha para o lado belga da força! Saúde! 
quarta-feira, 1 de maio de 2013 0 comentários

Bravo - Backer (3 Lobos Extreme) - Imperial Porter


Olá, hoje vou escrever sobre uma cerveja complexa, deliciosa de beber e ótima para esquentar o dia que estiver mais frio. A cerveja da vez veio de Minas Gerais, de onde, aliás, vêm várias gostosuras da nossa culinária. A cervejaria é a Backer, que tem o mérito de ser a primeira cervejaria artesanal mineira e, de ter no seu cartel, cervejas mais do que especiais. Dentre elas eu destaco as pertencentes à série 3 Lobos Extreme.

Para começar os rótulos de todas as cervejas são muito divertidos e remetem aos filmes de “Bang Bang” e até lembram um pouco os rótulos da cervejaria americana Flying Dog, mas nada de plágio. A história dos rótulos é interessante, segundo encontrei no blog CervejaSó, esses rótulos foram inspirados no visual de uma boate country que a família proprietária da cervejaria teve.

Esse assunto dos rótulos foi um alvoroço quando do seu lançamento, mas na minha humilde opinião o que importa é o que está dentro da garrafa e, a cerveja que eu abri e vou contar pra vocês é uma Imperial Porter denominada de Bravo e como irão ver, com muita propriedade ela recebe esse nome.



A cerveja é preta e opaca, a espuma de cor bege tem uma boa formação com média duração deixando suas marcas pelo pint. Os aromas são complexos, notei caramelo, café e um pouco de herbáceo (proveniente do lúpulo, acho) um pouco de defumado e até um leve amadeirado, afinal a cerveja é maturada por três meses em barris da brasileiríssima madeira umburana.

No paladar eu senti uma mistura muito harmoniosa do chocolate amargo com um pouco de baunilha. Faz-se presente aromas de castanhas e a torrefação do malte. A madeira fica em segundo plano e o álcool é muito bem inserido nesse contexto, tornando essa cerveja muito bem equilibrada e ótima de beber.

No final essa é uma cerveja que recomendo para dias frios e vai muito bem com carnes grelhadas (olha o churrasco aí), defumadas e até uma sobremesa de sorvete de creme, por que não? É uma ótima cerveja sem dúvida, daquelas que dá orgulho de dizer para um desavisado: “olha não é importada não, é feita logo ali em Minas!”. Recomendo sem pestanejar.

E que a umburana esteja com vocês! Saúde!

domingo, 28 de abril de 2013 0 comentários

Waybeer Avelã Porter - Porter


Caros leitores, hoje lhes conto a experiência que tive com uma cerveja da paranaense Waybeer (ou só Way para os íntimos). Uma cerveja que havia algum tempo que queria provar e finalmente tive este belo prazer. Vou contar pra vocês como é a última novidade da Way, a Avelã Porter.



Uma porter nacional de respeito. Esse estilo, aliás, é oriundo da escola inglesa, uma cerveja escura resultado da mistura de três estilos de alta fermentação, as Old Ale, as New Ale e as Mild Ale, ao menos é o que se diz, e que se chega em uma cerveja suave, complexa e que agrada a quase todos que provam.

Vamos ao meu copo, líquido preto, bem denso, com boa formação de espuma bege de média persistência. O aroma é bem semelhante à sua colega a Cream Porter (ótima cerveja também, por sinal), ou seja, de café, caramelo e chocolate, e depois explode o cheirinho de avelã, castanhas e até um pouco de frutas secas.



No paladar, nossa foi surpreendente(!!), ela é levemente adocicada, muito embora, tenha notas de chocolate amargo, sabores de café e caramelo se anunciam durante o gole e o resultado final, ao menos pra mim, foi o chocolate Talento, aquele da Garoto que leva castanhas em sua composição.

Uma cerveja ótima, boa pra beber acompanhada de chocolate ao leite, ou mesmo comento castanhas de caju ou do Pará. Eu recomendo, aliás, recomendo todas as cervejas do portfólio da Way, que são ótimas por sinal.

Em nota final, gostaria de destacar o rótulo da cerveja, que rótulo bacana! Os esquilinhos comendo as avelãs, as cores vivas. A cerveja chama a atenção por seu frasco e pra quem lê sua descrição ainda dá boas risadas, pois “Nesta cerveja colaborativa convidamos esquilos da Beervania para ajudar. Escolhemos a Cream Porter e eles, viciados em avelã como são, colocaram a quantidade necessária para esta cerveja ficar clássica.”

Enfim, prove-a e não se arrependerá! Venha para o lado porter da força. 
domingo, 21 de abril de 2013 0 comentários

North Coast Old Rasputin - Russian Imperial Stout


Eis que vou falar da primeira stout do Bill e não poderia ser melhor. Por ser a primeira desse estilo resolvi escrever sobre um sub-estilo bem peculiar, o Russian Imperial Stout. 

A peculiaridade desse estilo está relacionada ao fato de serem tipos de cervejas inglesas destinadas à corte russa. As duas nações estão separadas por uma distância considerável, além disso a viagem era muito custosa, principalmente por conta do clima muito gelado. Naquela época (de sua criação) as stouts tradicionais não suportariam esse trajeto gélido então, para que chegassem bem, eram elaboradas com mais robustez, o que resultava num teor alcoólico mais elevado. Ora, o álcool congela em temperaturas muito mais baixas do que a água, some uma boa dose de lúpulo (conservante natural) e então a cerveja chegava bem e ainda trazia um resultado final esplêndido.

E a cerveja escolhida é a Old Rasputin, da cervejaria americana North Coast:



Antes de falar propriamente da cerveja eu gostaria de dar uma pincelada na história desse ser que aparece no rótulo com a mão na testa. Esse senhor é Grigori Rasputin, um místico que viveu no século XIX que era figura constante na corte russa, o qual rondam inúmeras lendas, dentre elas eu ressalto o fato de ele ser meio que um Highlander, o “imorrível”. Diz a lenda que ele foi envenenado por duas vezes, uma delas pelo mortal cianeto, e não morreu. Ele era constantemente chamado de monge maligno, enfim uma peculiar personagem russa que ilustra o rótulo dessa bela cerveja.

Depois desses devaneios obscuros, vamos ao que importa: o líquido que preencheu meu copo. Negro, bloqueia totalmente a luz, mesmo ao levar o copo a ela não se vê nada por através da cerveja. Formou uma bela espuma bege de boa duração. No aroma senti bastante o malte torrado, aquele aroma de café e um pouco de chocolate, sem esquecer do álcool que já se fez presente no nariz, por conta de seu teor de 9%.



Na boca senti bastante o café, o chocolate, álcool e um amargor bem pronunciado e delicioso, bem encorpada, e perfeita para dias frios, pois esquenta bastante e o peito.

Apesar de ser uma cerveja extrema, fiel ao seu estilo e característica da escola americana, é uma cerveja muito bem equilibrada e só não me surpreendeu porque eu já esperava muito dela (e tudo foi confirmado, que cerveja!), até porque é um estilo que sempre me chamou a atenção esse tal de stout russo imperial!

Esperem mais coisa boa por ai, pois esse último fim de semana foi bem produtivo!!

Vida longa e próspera! Saúde.

Só uma observação final, eu percebi após já ter publicado o post que eu não a elogiei dignamente, portanto: "Caras, essa cerveja é incrível, faça um favor a si mesmo e prove-a!"
segunda-feira, 15 de abril de 2013 0 comentários

Malheur Dark Brut - Biére Brut


A cada gole que tomo eu tenho certeza que a cerveja é uma das bebidas mais versáteis desse mundo. Existem inúmeros meios de se conseguir a fermentação do malte, seja com leveduras de baixa, alta fermentação ou mesmo até com levedos do próprio ambiente, como acontecem nas cervejas lambics. Sem falar nos ingredientes não maltados (sem preconceito aqui tá alemãozinho) que se pode incluir na receita. Além da água, malte, lúpulo e fermento, pode-se colocar frutas, café, chocolate, castanhas e até leite! 

E essa versatilidade no modo de se fazer cerveja que me encanta e por isso, um dos métodos mais inusitados me chamou a atenção e eu tive de experimentar. É a tal da bière brut, champanhe de cerveja. Isso mesmo é meio que uma champanhização da cerveja, no cervejêz correto, o método champenoise, com leveduras de champanhe e aquele “gira gira” das garrafas. É um tipo de cerveja muito complexo e leva-se tempo até chegar a uma bière brut, por isso de ela ser tal especial.

E a escolhida da vez foi a Malheur Dark Brut, uma brut mais fora do comum ainda, pois é escura! Uma cerveja feita à base da Malheur 12º, uma Belgian Dark Strong Ale de 12% de teor alcoólico que passa por esse método mágico pra chegar nessa celebração.



A garrafa é linda, arrolhada e com detalhes em dourado. Ao abrir ouve-se aquele clássico pluf, que lembra o ano novo. Ao servi-la obtive uma ótima formação de espuma de coloração bege e bem cremosa, a cerveja é escura, cor de caramelo, e olhando através da luz, percebe-se que ela é avermelhada.


No aroma é tanta coisa que nem sei se consigo descrever aqui (estou eufórico), caramelo, tostado, dulçor, malte e álcool, bastante álcool. Tem um aroma típico de champanhe também. No paladar sente-se caramelo, um pouco de café, dulçor, chocolate, frutas secas, castanhas, e o álcool é bem aparente, afinal são 12%. No corpo é bem licorosa, mas como é muito bem carbonatada é um licor que faz cócegas na língua, uma sensação muito interessante.

É uma cerveja especial, especial, não dá pra tomar mais de uma garrafa, porque é muita informação numa cerveja só e qualquer outra que vier em seguida perderia a graça. No fim passou com méritos na minha análise (que prepotência) e é uma cerveja que passará por muitas das minhas comemorações, com ou sem motivos especiais, até porque abrir uma cerveja dessas já é um evento.

Por fim, quero deixar pra vocês o link de um vídeo em que o jornalista e sommelier Luís Celso Jr. degusta a cerveja em questão e uma Eisenbahn Brut, uma Bière Brut nacional e comenta dos outros rótulos existentes no mercado. Além do vídeo que eu recomendo assistir, deixo também o endereço do blog do Bar do Celso, que traz muitas novidades do mundo cervejeiro. 

Link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=wECoBlPEoAY
Link do Bar do Celso: http://www.gazetadopovo.com.br/blog/bardocelso/

Venha para o lado belga brut da força. Saúde!




sábado, 13 de abril de 2013 0 comentários

Cauim (Pilsen) - Colorado


Olá amigos! Hoje quero começar com a primeira harmonização desse blog e como estava com vontade de comer comida japonesa fui à pesquisa dos melhores estilos que poderiam harmonizar com essa culinária tão peculiar.

Bem, li que as cervejas weizen (de trigo) harmonizariam muito bem com esse tipo de comida, mas optei por uma pilsen que é mais leve e combinaria com o paladar mais suave dos sushis, sashimis, nigiris, arigatos e sayonaras. Questão de gosto pessoal também.


Bom, na escolha do rótulo resolvi por em prática um ditado alemão que circula no meio cervejeiro. Imagine um senhor alemão de chapéu dizendo com aquela voz trêmula: “A melhor cerveja é aquela da qual você pode ver a chaminé da cervejaria”. Pois bem, como aqui na cidade onde moro (Franca-SP) ainda não temos nenhuma microcervejaria comercial da qual eu possa espiar em funcionamento (embora eu saiba de alguns cervejeiros caseiros que se arrisquem), optei pela Cauim de nossos vizinhos de Ribeirão Preto da Colorado.



A cerveja é fantástica, muito diferente daquilo que o brasileiro está acostumado a chamar de pilsen e tem um ingrediente inusitado, a mandioca! Aliás faço aqui um adendo, todas as cervejas da Colorado possuem um ingrediente inusitado, seja mandioca, mel, café e até rapadura! Se ainda não conhece, deveria.

Na aparência a breja tem coloração amarela dourada, translúcida e ótima formação de espuma que persiste no copo. A espuma é branca e cremosa e veem-se aquelas bolinhas de gás carbônico subindo do fundo à boca do copo

No nariz é bem presente o malte e o lúpulo e, não sei se fui sugestionado, mas senti o aroma em segundo plano da mandioca. Na boca, o lúpulo aparece mais do que no aroma, tem corpo mais leve, mas não é aguada, é super refrescante e casou perfeitamente com a leveza da comida japonesa, que me acompanhou na degustação toda.

Aliás, a harmonização é um capítulo à parte. Arroz e mandioca combinam muito! A leveza dos filés de salmão com a leveza da cerveja fazia com que um pedisse o outro o tempo todo. E o wasabi! Aquele temperinho verde bem ardido combinou muito com o amargor do lúpulo. Eu aprovei.

Eu recomendo a todos essa harmonização, aliás, qualquer harmonização, mesmo que não dê certo! Vá na tentativa e erro, sugira a amigos, peça sugestões, pesquise, até porque a cerveja é muito versátil e combina com praticamente todos os pratos desde a culinária japonesa à mexicana, passando pela italiana, fast food e claro, a comida típica brasileira, em especial o churrasco!

Vida longa e saborosa! Saúde.
domingo, 7 de abril de 2013 6 comentários

La Trappe - Koningshoeven


Mais uma vez quero contar algumas experiências cervejeiras aqui no Bill. Escolhi algumas cervejas da Koningshoeven, uma cervejaria holandesa que fabrica os rótulos da La Trappe.

Essa cervejaria de nome complicado faz parte de um seleto grupo que possuem o selo de autêntica cerveja trapista, que conta com mais sete espalhados pela Bélgica e Áustria.

Esse selo garante a origem monástica da cerveja, isso mesmo, são cervejas de abadia e são fabricadas sob a supervisão de monges católicos da Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observância, apelidada de Ordem Trapista devido ao mosteiro cisterciense de Nôtre-Dame de la Trappe.

Não é incomum ligar a figura dos monges a da cerveja, até porque essa bebida tão adorada por nós era tida como alimento desses padres, que jejuavam durante o dia e, portanto só lhes eram permitido o consumo de líquidos. Como a cerveja é líquida, ai vocês já devem imaginar.

Como elas eram utilizadas como substituto ao alimento, naturalmente a cerveja tinha de ser mais encorpada para que os monges aguentassem o jejum (nada mal hã?).

As cervejas que degustei são a La Trappe Blond, Tripel, Dubbel e Quadrupel, mas o que significa cada estilo desse de cerveja?



São todas cervejas que seguem a escola cervejeira belga, que é marcada por sua criatividade, não presa a nenhuma lei de pureza (o que não é ruim!) e que conta com diversos estilos que lhes são próprios. Em geral são cervejas frutadas e muito complexas em seu paladar.

Como tinha um intuito de degustar vários rótulos o ideal é ir da cerveja mais fraca até a mais forte (tanto no teor alcoólico quanto no corpo) e no meu caso tomei as claras primeiros e depois as escuras. Vamos às cervejas, que é o que interessa.



Começando pela Blond, uma cerveja loira mesmo, levemente turva, com espuma clara e bem cremosa e que dura o tempo todo no cálice. No aroma senti um cítrico e um pouco de flores (como num jardim de tulipas holandesas!). O sabor me surpreendeu, senti um amargor pelo qual não estava esperando, nada acentuado, mas delicioso! Um pouco de banana no paladar e malte, uma cerveja sensacional e ótima para abrir os trabalhos. 

Logo em seguida parti para a Tripel, outra cerveja clara que me pareceu uma blond tonificada. Coloração ouro que lembra o mel, a espuma é cremosa e que chama a outro gole. 



O aroma é igualmente floral e senti um pouco do lúpulo, na boca senti bastante o malte, um pouco do sabor de banana e mais carbonatação do que a sua irmã blond, o álcool também é mais aparente. Ótima cerveja.

Partindo agora para as escuras, primeiro a dubbel e depois a quadrupel!



Vamos à dubbel, uma cerveja avermelhada, espuma bege e bem turva no cálice.  No aroma senti uva passas e frutas secas em geral, característica que é confirmada no paladar, que também confirma o gostinho do café e chocolate amargo que a sua cor remete. Ela é bem encorpada e carbonatada. Achei muito equilibrada.

Pra fechar a tétrade trapista do dia coloquei no cálice a quadrupel... E que cerveja! Sem dúvida a melhor das quatro e foi ótimo deixa-la para o final, porque a dubbel me preparou o paladar para a ela.



Essa cerveja é cor de cobre bem avermelhada, porém translúcida, espuma cremosa e persistente. No aroma sente-se um dulçor, caramelo e frutado, aquele cheiro de frutas secas mais acentuado lembrando um panetone (por causa do cheiro do fermento!).

No paladar o álcool não é perceptível, embora dos 10% de teor alcoólico, bastante gosto de frutas, doce, mas sem ser enjoativa com o retrogosto de doce também. O corpo é aveludado, carbonatada e faz até cócegas na língua. Uma cerveja incrível e a minha favorita da noite.

Notas da degustação: Essa experiência “alquímica” surgiu de uma reunião de amigos que também adoram cervejas e da vontade de beber (menos e melhor)! É uma prática e tanto degustar várias cervejas de uma mesma cervejaria e, fazer isso entre amigos é melhor ainda. Essa confraria (des)organizada meio que de repente e que já deixou a vontade da próxima foi divertida e o mais curioso é ouvir o que cada um achou da cerveja, o que fazemos entre um copo e outro, mas sem compromissos de juízes de concurso ou coisa parecida. Entre uma postada e outra no Untappd (rede social cervejeira), a diversão foi garantida. Todos que gostam de cerveja deveriam, ao menos uma vez, beber acompanhado de amigos com algum tema em específico, seja rótulos de uma mesma cervejaria, várias de um estilo, enfim, crie um tema e divirta-se.

Obrigado por ler e venha para o lado belga da força! Saúde.

quinta-feira, 4 de abril de 2013 2 comentários

Green Cow IPA - Seasons

Estou contente em contar minha experiência com essa cerveja aqui no Bill. Uma das primeiras IPAs nacionais que eu provei e me deliciei com tamanho amargor e aroma de maracujá. Na primeira vez que provei essa bela cerveja via-se flutuando em meu pint resquícios de lúpulo, e o cara do outro lado do balcão me alertou: "tá vendo, dry hopping, uma tacada de lúpulo a mais no processo de maturação da cerveja". Em uma outra oportunidade em que degustei a cerveja os resquícios de lúpulo não mais estavam  lá, mas isso não significa que a IPA ficou menos potente ou saborosa.

Mas e essa tal de IPA, o que é? Em breve resumo, a IPA (sigla para Indian Pale Ale) é uma Pale Ale, cerveja tipicamente inglesa,  com adição extra de lúpulo, um conservante natural que era exacerbado na receita para que a cerveja aguentasse uma viagem até as Índias! Dai surgiu um dos meus estilos favoritos de cerveja.



Mas enfim, vamos à cerveja. Uma legítima representante do estilo americano de se fazer cerveja, ou seja, bem extremas e cheia de ideias revolucionárias na cabeça. A cervejaria Seasons de Porto Alegre é bem humorada é quer realmente começar uma revolução cervejeira no Brasil e na minha opinião estão conseguindo.

A IPA deles é cor de laranja alaranjada, turva, com bastante espuma, mas que não persiste muito. Como mencionei, na primeira vez que tomei essa cerveja tinha um pouco de lúpulo boiando, mas isso não permanece, pelo menos não dessa última vez que tomei.

O aroma é floral e percebe-se muito o maracujá (que delícia) e meio que de coadjuvante dá para sentir um pouco de herbal.

Na boca é uma festa de lúpulo e amargor, bem carbonatadinha e um pouco ácida eu achei perfeita para acompanhar um burrito mexicano (aliás, ainda farei essa harmonização).

Enfim, uma cerveja nacional que representa! 

Que a força esteja com vocês! Saúde.
quarta-feira, 3 de abril de 2013 2 comentários

Old Engine Oil - Porter


Esse é o primeiro post do blog, ou melhor, um diário das cervejas que tomei. Pretendo postar aqui todas as minhas experiências cervegísticas desde hoje, e nada melhor do que começar com uma porter, um estilo que eu particularmente gosto muito.

A cerveja eu tomei há algum tempo, mas é bem marcante e ficou na memória.


Uma cerveja encorpada com pouca formação de espuma, bem viscosa e negra como a noite. Tem uma aparência de óleo de motor mesmo. No aroma fica bem óbvio o malte torrado e um pouco de café e em segundo plano um leve toque de defumado (poxa, é óleo de motor, teria que ter fumaça). Na boca é a confirmação dos aromas, uma cerveja de corpo médio e o malte torrado e lúpulo saltam à língua.

Nota final: uma legítima Porter.

Vida longa e próspera, saúde!
 
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